Na novela "A Viagem", Alexandre é o espírito vingativo que volta do Vale dos Suicidas para perturbar os irmãos, Raul e Téo, e o advogado Otávio. Na versão mais recente, de 1994 e atualmente em reprise no "Vale a Pena Ver de Novo" o antagonista foi interpretado por Guilherme Fontes. Na vida real, o ator foi parar na Justiça por conta de um filme e fez um forte ataque contra Gilberto Gil.
E o primeiro ator a viver o vilão da novela espírita, em 1975 (TV Tupi), Ewerton de Castro também se envolveu em polêmica, mas foi a com a Globo no começo de 2002 quando atuava na minissérie "O Quinto dos Infernos", seu último trabalho na emissora líder. "Não fui respeitado artisticamente", disparou o artista ao pedir demissão. Em 2014, o veterano anunciaria a aposentadoria após seis trabalhos seguidos na Record - com destaque para "A Escrava Isaura" e "A História de Ester", o mais recente na TV.
"O Quinto..." ficou no ar de janeiro a março de 2000 em 48 capítulos.
Aos 56 anos e com quase três décadas e meia de carreira, Ewerton mostrou sua total insatisfação com a Globo. "Meu personagem em 'O Quinto' não tinha falas e nunca era enquadrado pela câmera. Não pensei que eles chamariam a mim, um profissional com 34 anos de carreira, para fazer praticamente uma figuração", desabafou à "Folha de S.Paulo" em 3 de fevereiro de 2002.
Na produção de época, o artista vivia Cauper, um comerciante. "A Globo acaba assumindo uma espécie de poder divino. Mas eles fazem isso para sua autoestima cair e você começar a aceitar qualquer coisa que eles oferecerem. Abençoados são os que não precisam da TV para viver", prosseguiu Ewerton, visto também em "Roque Santeiro", folhetim que "matou" a vida noturna no Rio nos anos 1980, e na terceira versão de "Éramos Seis". E o ator seguiu atacando a emissora carioca, também alvo de críticas de Nany People.
"A Globo está mal-acostumada. Acaba sucateando o mercado. Eles pensam assim: 'Todo mundo quer trabalhar aqui, então não precisamos tratar bem ninguém'. Isso, de certa forma, é repetido por outras emissoras. Há atores que já tiveram muita fama e são tratados como mendigos quando vão pedir trabalho", acusou o veterano, hoje com 79 anos. Já o canal do Jardim Botânico se defendeu:
"Ele utilizou critérios subjetivos e pessoais para julgar a Globo. O importante é que, em nenhum momento, as normas trabalhistas foram desrespeitadas", resumiu Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.